Artesãos da Ilha do Marajó levam coleção brasileira a Milão
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Key points
- Seu trabalho deu origem, de maneira informal, em 1972, ao Museu do Marajó, localizado em Cachoeira do Arari (PA), que guarda os objetos históricos da região.
- Posteriormente, em 2023, Miqueias fez outra oficina, desta vez sobre a produção de carimbos de EVA, na Associação do Museu do Marajó.
- Parte da coleção também deve ser apresentada no Hotel Rosewood, em São Paulo, no dia 14 de setembro.
- O artesão levou cerca de três semanas para pintar os 20 calçados que serão apresentados em Milão, na Itália.
- Indústria diz que fim da taxa das blusinhas põe em risco 109 mil empregos e pede manutenção.
Uma coleção brasileira de calçados que nasceu das mãos de artesãos do Marajó (PA) será apresentada no Consulado Geral do Brasil na Itália em 23 de setembro, durante a Semana de Moda de Milão.
Os sapatos trazem estampas inspiradas em grafismos marajoaras -padrões geométricos da cultura indígena pré-colonial do país- em um projeto que busca aproximar patrimônio cultural, design, empreendedorismo e impacto social. Parte da coleção também deve ser apresentada no Hotel Rosewood, em São Paulo, no dia 14 de setembro.
Meanwhile, a iniciativa é uma parceria entre G10 Favelas, entidade que reúne empreendedores sociais das dez maiores favelas do país, Instituto Costurando Sonhos, organização de Paraisópolis (SP) que capacita mulheres por meio da costura, Instituto Tucunaré, que atua na preservação de saberes tradicionais e no desenvolvimento social da região amazônica e Dotz, marca nacional de calçados sustentáveis.
"Quem foi que disse que o alto e o baixo é aqui ou lá? Todos nós podemos ocupar espaços. Alta costura não depende do CEP", diz Gilson Rodrigues, fundador do G10 Favelas.
O trabalho homenageia o padre Giovanni Gallo, que se dedicou à preservação de objetos produzidos pelos habitantes da amazônia. Ao encontrar artefatos arqueológicos feitos em cerâmicas, Gallo passou a catalogar e estudar as peças.
Seu trabalho deu origem, de maneira informal, em 1972, ao Museu do Marajó, localizado em Cachoeira do Arari (PA), que guarda os objetos históricos da região. Os registros reunidos pelo padre resultaram no livro "Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara", publicado em 1996.
"Existe uma relação forte da ilha do Marajó com a Itália, por conta desse padre que ajudou a desenvolver a região e criou o Museu do Marajó, que preserva aquela cultura", afirma Rodrigues.
For context, a produção do calçado é feita em duas etapas: primeiro, são desenhadas as estampas, seguindo o grafismo marajoara. Em seguida, é feito o bordado das peças, reproduzindo o desenho criado anteriormente no sapato. Depois de estampados, os sapatos seguem para fábricas no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
"Há artesãos que trabalham apenas com bordado e outros que se dedicam à estamparia. Eles mantêm essa cultura, mas, na maioria das vezes, ela é muito desvalorizada", explica Suéli Feio, fundadora do Instituto Costurando Sonhos.
Miqueias Caldas da Silva, 35, artesão e produtor cultural de Cachoeira do Arari, faz parte do Instituto Tucunaré e foi um dos responsáveis pela confecção dos calçados da coleção.
Segundo ele, embora o bordado faça parte do cotidiano de muitos marajoaras e esteja presente em sua vida desde a infância, ele só aprendeu a reproduzi-lo depois de participar de uma oficina no Senai.
Posteriormente, em 2023, Miqueias fez outra oficina, desta vez sobre a produção de carimbos de EVA, na Associação do Museu do Marajó. A proposta era reproduzir os grafismos marajoaras em carimbos feitos com o material para aplicá-los em diferentes superfícies.
"A professora teve a ideia de reproduzir o grafismo marajoara em um desenho, colá-lo no EVA e, depois, recortar o material para transformá-lo em um carimbo. Assim, era possível usar o molde para aplicar o grafismo em tecidos, madeira e outras superfícies", explica Silva sobre a metodologia utilizada na oficina, que teve como referência o livro do padre Giovanni Gallo.
O artesão levou cerca de três semanas para pintar os 20 calçados que serão apresentados em Milão, na Itália. Depois de se capacitar, Silva passou a ministrar aulas no Instituto Tucunaré. Atualmente, ele transmite aos jovens de Cachoeira do Arari os conhecimentos adquiridos durante sua formação.
"A ideia era ensinar essas crianças para que, quando se tornassem adultas, já tivessem uma profissão e essa noção de conhecimento e pertencimento cultural", afirma.
Para Silva, a educação também é uma forma de evitar que jovens em situação de vulnerabilidade se envolvam com atividades que possam prejudicar seu futuro. "A meta é educar e colocar eles nesse processo, para que se tornem pessoas de bem".
Meanwhile, a Semana de Moda de Milão acontece de 22 a 28 de setembro e é o momento em que marcas globais e estilistas renomados apresentam suas coleções de primavera e verão. Leia tudo sobre o tema e siga. Recurso exclusivo para assinantes. Assine ou faça login.
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