São Paulo mantém, mas não preserva a lenda do DC-3
Um saudoso modelo do avião Douglas DC-3, que permitiu o desenvolvimento da aviação comercial brasileira, trazendo pujança para São Paulo e para o Brasil no período pós-guerra (década de 1940), encontra-se estacionado em um canto do pátio do Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, onde funciona o Projeto Catavento, voltado às crianças.O aparelho…
Convém lembrar que as Bases Aéreas do Nordeste Brasileiro, em especial a Base de Natal, serviram de maneira eficaz aos países aliados, proporcionando o sobrevoo do território africano, então em poder do inimigo. “Nessa época, formou-se no nosso Nordeste o chamado “Trampolim da Vitória”, onde o DC-3 exerceu papel vital, visto que os Estados Unidos haviam perdido sua rota aérea para a Austrália, cortada pelo inimigo, com a tomada da Ilha Wake que impossibilitava o acesso ao Pacífico Ocidental, colocando em risco as forças aliadas naquela região”, escreve o especialista, acrescentando que “as bases no Brasil permitiram enviar os reforços necessários ao Pacífico e foi graças à munição embarcada em nosso Nordeste que o Marechal Rommel recuou em El Alamein. Tão importante foram as bases do Nordeste, que o General Henry H. Arnold, comandante da Força Aérea dos Estados Unidos, declarou, em banquete oferecido pelo Ministro Salgado Filho, “ter sido impossível vencer sem as bases do Brasil”. Com a venda dos equipamentos aéreos de guerra ao Brasil, muitos rádio-amadores vieram a possuir um receptor BC-348 usado no DC-3. Esses aviões levavam na tripulação, um rádio-operador telegrafista.
Aos poucos, os DC – 3 foram sendo substituídos por outros aviões, como os YS-11, de fabricação japonesa, em época que os Bandeirantes, da Embraer, já começavam a operar no território nacional. O então presidente da Vasp, Luiz Rodovil Rossi, chegou a entregar alguns DC-3 para o Projeto Rondon, como doação para objetivos altamente patrióticos, levando universitários em período de férias a regiões remotas da Amazônia, para prestar socorro médico e odontológico. Foi num DC-3 que o ditador Fulgêncio Batista partiu de Cuba para o exílio após a vitória de Fidel e Guevara na Revolução de 1959. Em alguns lugares do Brasil, voava-se de DC-3 sem radar a bordo, onde o único auxílio de terra eram as emissoras comerciais de rádio AM.
Um rádio-goniômetro a bordo (Automatic Direction Finder – ADF) indicava ao piloto o rumo da estação. “Os DC-3 foram a grande escola dos futuros pilotos e comandantes dos turbo-hélices e jatos que viriam em seguida”, conclui Camilo R.C.Fernandes Costa em seu artigo a nós oferecido. Por essas informações e tantas mais é que os exemplares existentes do avião Douglas DC – 3 de longas asas que possibilitavam continuar voando mais algum tempo, como um planador, mesmo sem combustível, merecem melhor preservação.


